
Às vezes, este impulso parece querer romper
com as vivas e inquietantes transformações.
Os caminhos lúcidos,
as estradas pequenas,
os tolos sentimentos
que monologam de modo primitivo.
A contínua e incomum ruína,
os olhares que estabelecem grandes mudanças,
os vivos ensaios que não fiz.
As asperezas nada ortodoxas,
as circunstâncias nada passionais,
os olhares que reagem ao menor sinal de fúria
- ela, confesso, tão crítica, intensa, relativamente fugaz!
Quiçá devesse consumir
a insensível e notória maneira de dizer
que o amor - este resíduo completo - é forma,
fantasia, limite entre o são e o insano.
Já não posso
construir as mesmas asperezas.
Já não posso
conter a delicada e tola inocência
- ela que vem e desenvolve o frágil projeto de felicidade!
Diga-me se os olhos teus são firmes,
diga-me se as estéreis conquistas
puderam cauterizar a triste e informe mudança de humor.
Os pequenos diálogos que nada professam,
as caminhadas mais inseguras,
os tolos arquétipos que devoram e cauterizam,
e insinuam um vivo e estreito minuto de febre.
Não vejo melhores acordos.
Não vejo melhores sensações (a miopia cega!).
O corpo cada vez mais delicado,
as estruturas que caem e não conversam entre si,
as serenas e pequenas mudanças
- tão raras que não me recordo da última vez que pude senti-la!
A impressão dos olhares restritos,
as intoleráveis justificativas,
nossos pontos em comum
- predadores e ao mesmo tempo secretos!
Deixe-me enxergar o que de nobre existe.
Deixe-me sair deste casulo e procurar um novo minuto para mim.
O poeta/menino, insisto, necessita de algo novo
- tão forte, insustentável... possível!
A inocente e ingrata pesquisa,
As amargas maneiras de dizer que é preciso golpear a tez
e acordar deste informe pesadelo, estes abismos...
Não vejo melhores sentenças.
Não vejo sinais, estreitas notícias, e sintéticos passos.
Enxergo, de fato, os olhares que inocentemente perdi!
©Adriano Guia Ferraro
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