O MUKIFU
É madrugada acordo assustado com barulho no apartamento do lado.
Estou no Rio de Janeiro faz um calor insuportável.
Eu levanto, tomo um pouco d'água, passo a mão no rosto.
O barulho continua, parece um casal trepando. Na verdade parece um cara trepando com duas mulheres.
Eu ainda há pouco conversava com meu amigo Grillo sobre cultura e arte no bar Amarelhinho, bar de frente da pensão que estamos hospedados, no bairro Glória.
A noite passa e a suruba continua...Penso como será a noite de autógrafos dos nossos livros de poesia, o meu e do Grillo.
Uma das mulheres grita, o cara parece abusar mais dela que o necessário. Na verdade o grito é dele, aliás ele dá vários gritos e ordena:
__Isto, chupa ela! Assim, chupa ela!
Eu no cubículo que chamam de apartamento apenas ouço.
O lugar é uma pensão típica dos contos de Nelson Rodrigues.
É um cortiço, cheio de apartamentos, várias pessoas diferentes, figuras enigmáticas, cheio de estrangeiros. Os apartamentos são sujos, minúsculos, todos cheirando à sexo barato e doentio.
Os habitantes são vários, prostitutas, alcóolatras, traficantes e estudantes universitários.
Num quarto um senhor alcóolatra que dorme com o quarto aberto, onde há várias garrafas de água vazias em cima de uma mesa. Ele gosta de música erudita. Eu o vi jantando ao som de Vivaldi quando passei mais cedo para o meu quarto e achei a cena inusitada.
A noite passa, é de manhã e vou tomar banho. Há apenas um banheiro no lugar.Alguém me chama. É uma "garotinha" trazendo na mão uma camisinha ainda cheia, dizendo:
__Sexo é bom, mas tem que ser com camisinha,né?!Se não a Aids pega!E pede pra tomar banho na minha frente.
Acordo Grillo e vamos ao Sebo "Baratos da Ribeira", na rua Barata Ribeira pra acertamos os lances finais do lançamento de nossos livros.
Enquanto Grillo conversa com o Maurício,o proprietário, eu fico vendo as mulheres maravilhosas, fico observando o movimento da rua. Nossa, o Rio é lindo!
E quanta mulher bonita!
Cidade Maravilhosa, mulher bonita, côco gelado, praia, chopp no bar Garota de Ipanema, ou no bar Vinícius de Moraes. O rio que dá arrepio, mistura da beleza e do caos.
Curtimos como duas crianças em busca do doce, a poesia.
Ao retornarmos ao Mukifu, a pensão para tomarmos banho e trocarmos de roupas vejo o dono um tipo espanhol traficante dizer:
__Senhor Weverton, o senhor está expulso da pensão. O senhor Edson reclamou mais uma vez que o senhor estava se masturbando de novo na escada e bêbado imaginava duas mulheres.
Cássio Amaral.
Escrito por CÃO às 18h26
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