ZEN EM TEMPLO DE GUERRA

Um bêbado desiquilibrado bate a cabeça na porta do supermercado e caí.
A ambulância socorre meninos metralhados por neonazistas com cabelos raspados, calçados de coturno e parecidos com punks.
Sangue no jornal, tufão na Ásia, o calor matando milhares de pessoas em todo mundo.
Apocalipse geral, tudo normal, tudo parece bem afinal.
Um poeta tropeça nas nuvens, tentando achar o verso inesperado na agressão mais lírica no átimo de sua composição.
A partitura famigerada do bizarro, usada no canto diário dos indigentes, das prostitutas, dos famintos, dos cancerosos, dos aidéticos, dos marginalizados. Cães silenciosos mordem o próprio rabo. O lixo é luxo, o luxo é lixo. A tv nos emburrece a cada dois segundos.
O mundo e seus revivais, a História para nos mostrar uma caminho, fazer uma crítica, nos apontar o porquê de tanta mazela hoje.
A economia venceu o Estado. E a nossa escravidão é tão bela que sem ela somos meros sadomasoquistas fazendo apologia à uma peça do Sr. Marquês de Sade.
Sexo à vontade, bebidas, chapação, drogas, paranóias mil no embalo de "Hoje é festa lá no meu ap".
O mundo evoluído, muita informação, carne com hormônio, comida intoxicada, pagode de bregas, sertanejo de cornos, música de péssima qualidade na mídia, comunicação manipulada.
As notícias atravessadas e rasgadas por quem tem o poder e domina o mundo.
Tudo caos, tudo maus, silêncio absoluto diante dos considerados bandidos.
Aplauso e muita pompa para os legisladores colarinhos brancos.
Eu de frente para o Grande Hotel de Araxá/MG, vendo o lago num momento zen, acalmo a trombose diária.
O verde para limpar e tirar a iniquidade de todo o sofrimento e rearmamento da guerra que rola dentro do sujeito dito humano.
Cássio Amaral.
15 Fev de 2005.
Escrito por CÃO às 16h27
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|